A anuidade de cartão de crédito é a tarifa cobrada pelo banco ou emissor pelo direito de manter o cartão ativo, independentemente de você usá-lo ou não. Em agosto de 2026, os valores máximos declarados ao Banco Central vão de R$ 0,00 a R$ 18.000,00 por ano, dependendo da instituição e do tipo de cartão. Não existe teto legal para essa cobrança — o que existe é uma regra que obriga todo emissor a oferecer uma versão mais barata, o chamado cartão básico.
O que é a anuidade de cartão de crédito?
A anuidade remunera o emissor pela estrutura que sustenta o cartão: análise e concessão de crédito, prevenção a fraudes, atendimento, participação na rede de estabelecimentos e os benefícios agregados ao produto (pontos, milhas, cashback, seguros, salas VIP).
Ela é uma das cinco tarifas que a regulamentação permite cobrar sobre cartões de crédito de pessoa física. As outras quatro são: emissão de segunda via, retirada em espécie (saque), pagamento de contas usando a função crédito e avaliação emergencial de limite. Qualquer cobrança fora dessa lista é irregular.
Quanto custa a anuidade de cartão de crédito em 2026
O Banco Central mantém um ranking público com o valor máximo de anuidade do cartão básico nacional que cada instituição declarou cobrar. Os dados abaixo foram consultados em 18 de agosto de 2026, na data da última atualização da própria base:
| Instituição | Valor máximo | Periodicidade |
|---|---|---|
| Banco XP | R$ 18.000,00 | A cada 365 dias |
| Banco Sofisa | R$ 920,00 | A cada 365 dias |
| Banco do Brasil | R$ 234,00 | A cada 360 dias |
| Banco BMG | R$ 200,00 | A cada 360 dias |
| Caixa Econômica Federal | R$ 156,00 | A cada 365 dias |
| Itaucard | R$ 110,40 | A cada 360 dias |
| Bradesco | R$ 108,00 | A cada 365 dias |
| C6 Bank | R$ 98,00 | A cada 30 dias |
| Banrisul | R$ 96,00 | A cada 360 dias |
| Banco Inter | R$ 80,00 | A cada 365 dias |
| Banco Sicoob | R$ 28,80 | A cada 360 dias |
| Santander | R$ 0,00 | — |
| PicPay Bank | R$ 0,00 | — |
| Digio | R$ 0,00 | — |
Três observações importantes para ler essa tabela sem cair em armadilha:
- É valor máximo, não valor cobrado. A instituição informa o teto que pode praticar. O que você paga de fato depende do cartão contratado, do seu relacionamento com o banco e de campanhas de isenção.
- Preste atenção na periodicidade. O C6 Bank declara R$ 98,00 a cada 30 dias, e não por ano — uma lógica de cobrança completamente diferente da dos demais.
- R$ 0,00 não significa que todos os cartões daquele banco são gratuitos. O dado se refere apenas ao cartão básico nacional. Linhas premium do mesmo emissor podem cobrar anuidade normalmente.
O que diz a regulamentação sobre a anuidade
A base normativa é a Resolução CMN nº 3.919, de 25 de novembro de 2010, que padronizou a cobrança de tarifas sobre cartões de crédito no Brasil. Os pontos que mais importam para o consumidor:
- Todo emissor precisa oferecer o cartão básico. É o cartão destinado apenas ao pagamento de compras, contas e serviços, sem programas de pontos ou recompensas atrelados.
- A anuidade do cartão básico deve ser a menor entre todos os cartões ofertados por aquela instituição. É o piso de referência de cada banco.
- É vedado associar o cartão básico a programas de benefícios. Se o cartão tem milhas ou cashback, ele é classificado como diferenciado — e a anuidade pode embutir o custo desses benefícios.
- Aumentos de tarifa exigem aviso prévio de no mínimo 45 dias.
Regras mais recentes de transparência na fatura reforçaram ainda outro direito: o emissor precisa informar o início da cobrança da anuidade, após eventual período de isenção, com pelo menos um mês de antecedência. Na prática, isso significa que ninguém deveria ser surpreendido pela primeira cobrança depois do “primeiro ano grátis”.
O texto completo está disponível na íntegra da Resolução nº 3.919 no portal de normativos do Banco Central.
Como e quando a anuidade é cobrada
A cobrança normalmente começa na data de aniversário do cartão — o mês em que ele foi ativado — e aparece de duas formas:
- Parcelada: o valor anual é dividido em até 12 vezes e lançado mês a mês na fatura. É o formato mais comum e o que mais passa despercebido.
- Cobrança única: o valor cheio entra de uma vez, geralmente no mês de aniversário do cartão.
Muitos bancos oferecem isenção no primeiro ano como estratégia de atração. Passado o período promocional, a cobrança começa no ciclo seguinte. Vale sempre conferir o contrato antes de assumir que o cartão é gratuito de forma permanente.
Anuidade fixa ou anuidade variável: qual a diferença?
Existem dois modelos no mercado brasileiro:
- Anuidade fixa: valor definido em contrato, que não muda independentemente do quanto você usa o cartão.
- Anuidade variável, ou isenção por gasto mínimo: o banco reduz ou zera a cobrança quando você atinge um volume mínimo de compras no mês ou no ano.
Esse segundo modelo é o mais comum entre os cartões anunciados como “sem anuidade”. Boa parte deles não é gratuita por padrão: é isenta condicionada ao uso. Se o gasto cair abaixo do mínimo em um mês qualquer, a tarifa volta a ser cobrada. Nossa análise dos cartões sem anuidade com cashback detalha quais combinações realmente entregam isenção incondicional.
Vale a pena pagar anuidade de cartão de crédito?
Depende do seu perfil de uso, e a conta é simples: o valor dos benefícios que você efetivamente usa precisa superar o custo anual. Como referência prática:
- Uso ocasional ou gasto baixo: um cartão sem anuidade compensa quase sempre. Pagar R$ 234 por ano para usar o cartão em compras esporádicas não se justifica sob nenhuma hipótese.
- Gasto alto e recorrente, com uso real de benefícios: uma anuidade de R$ 500 a R$ 1.000 pode se pagar com folga se você usa sala VIP, seguro viagem e acumula milhas com frequência.
- Gasto alto sem uso de benefícios: o pior cenário. Você está financiando um pacote que não consome.
O erro mais comum que acompanhamos aqui no Guia Cartão é a manutenção de um cartão premium por status, sem que os benefícios sejam acionados nem uma vez ao ano. Nesse caso, a conta simplesmente não fecha. Se esse é o seu caso, vale conferir nossa análise sobre migração entre categorias de cartão antes de renovar.
Como evitar ou reduzir a anuidade: 6 estratégias
- Negocie antes de cancelar. Isenções e descontos são frequentes para clientes que sinalizam encerramento. O canal de retenção do banco costuma ter alçada maior que o atendimento comum.
- Verifique se você já atinge o gasto mínimo que dispara a isenção automática. Muita gente paga anuidade estando a poucos reais do limite de isenção.
- Peça a migração para o cartão básico. Por regra, ele tem a menor anuidade da instituição — e o banco é obrigado a oferecê-lo.
- Consulte o ranking do Banco Central antes de contratar. É o único lugar onde os valores máximos aparecem lado a lado, sem filtro comercial.
- Compare com cartões de bancos digitais, que eliminam a anuidade por padrão. Vale olhar as opções de Nubank, Inter, C6 Bank e PicPay.
- Concentre o gasto em menos cartões. Manter quatro cartões com anuidade parcelada é uma sangria silenciosa. Consolidar em um ou dois costuma reduzir o custo total e facilita atingir isenções por uso.
Se a dúvida for entre dois emissores específicos, nosso comparativo Nubank vs Inter analisa as políticas de isenção de cada um.
Perguntas frequentes sobre anuidade de cartão de crédito
Existe limite legal para o valor da anuidade?
Não. A regulamentação não fixa teto — cada instituição define seu valor. A única obrigação é que o cartão básico tenha a menor anuidade entre os cartões daquele emissor.
A anuidade é obrigatória?
Só é cobrada se o cartão contratado prevê a tarifa. Diversos emissores, especialmente bancos digitais, declaram anuidade zero para o cartão básico nacional.
O que acontece se eu não pagar a anuidade?
Ela compõe o valor total da fatura como qualquer outro lançamento. Se não for paga, gera os mesmos encargos de atraso — juros e multa — que o restante do saldo em aberto.
Cancelar o cartão cancela a anuidade pendente?
Não. Valores já lançados em fatura continuam devidos após o cancelamento. O cancelamento interrompe cobranças futuras, não as anteriores.
O banco pode aumentar a anuidade sem avisar?
Não. Majoração de tarifa aplicável a pessoa física exige divulgação com no mínimo 45 dias de antecedência.
Para aprofundar a escolha entre produtos com e sem anuidade, veja também nosso guia sobre como escolher o cartão de crédito ideal.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo, com informações verificadas em fontes públicas em agosto de 2026, e não constitui recomendação financeira. Os valores do ranking do Banco Central são tetos declarados pelas próprias instituições e mudam periodicamente; confirme sempre a anuidade vigente do seu cartão diretamente com o emissor antes de contratar ou de tomar qualquer decisão.
